Jerónimo MORAIS - A CRUZ AZUL de uma geração dourada

"Arrimado a uma bengala, chegou, hesitante, à sala de leitura do Lar de S. José, onde vivem os seus pesados 88 anos.
Dobrado para a frente, compensou o precário equilibrio apoiando-se na mesa colocada entre estantes habitadas por bons e pacientes amigos"


"(...) Não tenho aqui quaisquer recordação do meu clube. A recordação sou eu. De todas as vitórias, a que mais gostei foi a de 32/33. Fomos à final com o Sporting, no Lumiar, ganhámos por 3-1.

Grande festa, pá, grande festa, olha o balão, olha o arraial, viva o Belenenses, campeão de Portugal !
Até o Afonso de Albuquerque cantou. Sabes que ainda me recordo da equipa?
Queres ver ? Eu; Simões e Belo; Joaquim Almeida, Rodrigues Alves e César de Matos; Alfredo Ramos, Heitor, Faroleiro, Bernardo e José Luís.
Sabes quem meteu os golos? O Faroleiro marcou dois e o José Luís um. O deles foi metido pelo Abrantes Mendes. Confere ?"


"Nesse dia a Federação distribuiu as medalhas aos campeões, mas só dava medalhas aos jogadores que tivessem feito os dois últimos jogos.
Por isso, o Augusto Silva, lesionado num joelho, não tinha direito à medalha.
Então, o Joaquim Almeida subiu à bancada e ofereceu-lhe a dele.
Foi das coisas mais bonitas que vi no futebol"


In "A BOLA Magazine" nº 104 de Janeiro de 1996. Texto de Homero Serpa e fotos de Steven Governo.

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