Vicente, recebendo a Taça de Portugal de 1960

Est√°dio Nacional, 3 de Julho de 1960. O Presidente da Rep√ļblica, Am√©rico Thomaz, entrega a Ta√ßa de Portugal a Vicente, sob o testemunho do sportinguista Fernando Mendes.

Sai um Três Vintes (20-20-20) pró Vicente !

Nem o facto de n√£o fumar impediu que Vicente comprasse um ma√ßo de cigarros 'Tr√™s vintes' (20-20-20) na tabacaria propriedade do mano Matateu, situada na delega√ß√£o do Belenenses da Avenida da Liberdade.

Três Vintes: 20 cigarros, 20 gramas, 20 centavos
post publicado originalmente em 10/05/2011

Vou jogar !? pensei que tinha vindo s√≥ para marcar o Pel√©…

«Cinco anos depois de ter assinado pelo Belenenses, Vicente chegava √† Selec√ß√£o Nacional na qual nunca teve uma presen√ßa muito firme. Os confrontos com o Brasil, sobretudo aquela c√©lebre vit√≥ria de Abril de 1963, em Lisboa (1-0), criaram um facto inesquec√≠vel na vida do defesa central portugu√™s: a forma como soube marcar Pel√©, a grande estrela do futebol mundial, secando-o por completo, sem utilizar meios il√≠citos, e que permitiram √† imprensa rejubilar em manchete: «Vicente meteu Pel√© no bolso!»
N√£o admira, portanto, que das suas 20 «internacionaliza√ß√Ķes», Vicente some 6 contra o Brasil. Desta forma, quando convocado para a fase final do Mundial de 1966, em Inglaterra, e sabendo que seria titular no primeiro encontro, contra a Hungria (3-1), surpreendeu-se: «Pensei que vinha s√≥ para marcar o Pel√©…» 
N√£o tendo participado em nenhuma das partidas da fase de qualifica√ß√£o, Vicente jogou quatro encontros da fase final, saindo da equipa na meia-final, contra a Inglaterra (1-2), alegadamente por ter sofrido uma les√£o no pulso, mas com muita gente a levantar a suspeita de que teria havido movimenta√ß√Ķes para o preterirem no onze portugu√™s em favor de um companheiro. 
O Portugal-Coreia do Norte (5-3) marcaria assim o seu adeus √† «equipa de todos n√≥s». N√£o adivinhava, ent√£o, que a √©poca seguinte, na qual s√≥ realizou tr√™s jogos pelo Belenenses, seria a √ļltima. 
Um est√ļpido acidente de autom√≥vel provocou-lhe um rasg√£o na c√≥rnea. Era o fim do defesa central azul, que sabia como n√£o deixar jogar Pel√© e passou pelo futebol como sempre foi na vida: com educa√ß√£o e bondade.» Fonte: FPF

Nunca meti o Pelé no bolso, como gostam de dizer


«Diz-se que geralmente ‘secava’ Pel√©. √Č positivo o saldo dos confrontos com aquele que √© considerado o melhor jogador de sempre?
- Joguei contra ele seis vezes. Duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Não fiz nada de especial, nunca o meti no bolso, como gostam de dizer.
OK. Qual foi o jogo em que lhe deu mais trabalho?
- Todos pensam que foi no Mundial. Foi difícil marcá-lo em todos os jogos. Mas vocês só falam de Pelé. Encontrei jogadores anónimos que fintaram, marcaram golos, fizeram tudo comigo. Desses ninguém fala.
Quem era mais difícil de marcar: Pelé ou Eusébio?
- S√£o jogadores com diferentes caracter√≠sticas e posi√ß√Ķes. O Eus√©bio como vinha de tr√°s e podia aparecer em todo o lado, marcava-o √† zona. O Pel√© como ficava l√° ao p√© de mim, n√£o lhe podia conceder um mil√≠metro, se fosse √° casa de banho, ia com ele.
√Č verdade que Pel√© levou porrada at√© dizer chega? 
- N√£o vi nenhuma, sem ser aquela do Morais naquele famoso lance. As pessoas est√£o sempre a defender o Pel√© mas esquecem-se que ele era um jogador malandreco. A jogar metia o p√© por cima da bola e mais nada.» 
ūüďį Excerto de uma entrevista de Vicente ao jornal "A Bola", edi√ß√£o de 20 de Junho de 2007.
⛹ Vicente Lucas, foi titular em seis jogos contra a selec√ß√£o do Brasil: a 06/05/1962, em S. Paulo (derrota, 1-2); a 09/05/1962, no Rio de Janeiro (derrota, 0-1), em Lisboa a 21/04/1963; (vit√≥ria, 1-0), no Rio de Janeiro a 07/06/1964; (derrota, 1-4), no Porto a 24/06/1965 (0-0); e em Liverpool, a 19/07/1966 (vit√≥ria, 3-1).

Vicente (Belenenses) indiscut√≠vel «rei» em pendularidade

Vicente, "Figura do m√™s" de Abril de 1966 do Boletim Informativo da Associa√ß√£o de Futebol de Lisboa, por ter vencido o «Pr√©mio Regularidade» da √©poca 1965/66, institu√≠do pelo jornal «Mundo Desportivo. 

Os irm√£os Matateu, e Di Pace, causaram com os seus lances constante atrapalha√ß√£o na defesa dos «estudantes»

“Vicente, desembara√ßou-se de Torres e de Azeredo e caminha para a baliza. 
Mas n√£o foi golo…”
⚽ Domingo, 26 de Setembro de 1954. Jogo da 3¬™ jornada do campeonato, no campo das Sal√©sias, com assist√™ncia numerosa. √Ārbitro: Cunha Pinto, de Set√ļbal.
⛹ Belenenses - Jos√© Pereira; Francisco Rocha e Serafim das Neves; Pires, Ra√ļl Figueiredo e Diamantino; Vinagre, Di Pace, Matateu, Vicente e Angeja. Treinador: Fernando Riera
⛹ Acad√©mica - Ramin; M√°rio Torres e Melo; Abreu, M√°rio Wilson e Azeredo; Peridis, Abreu, Mota, Francisco Andr√© e Bentes.
Marcha do Marcador: 1-0, por Di Pace, aos 5'; 2-0, por Matateu, aos 8'; 2-1, aos 10' por Torres, de penalty; 2-2. aos 30' por Mário Wilson; 3-2, aos 64' por Matateu, de penalty; 4-2, aos 70' auto-golo de Torres; 5-2, aos 77' por Matateu; 6-2, aos 89', também por Matateu. Resultado final: Belenenses, 6 - Académica, 2.

A 1ª equipa de Hóquei em Campo Feminino do Belenenses faz hoje 80 anos que se estreou em competição

Campo das Amoreiras, s√°bado, dia 12 de Junho de 1937. «Torneio de Hockey», integrado no «Festival Feminino» organizado pelo Belenenses. A equipa do "Feminino Atl√©tico do Porto" foi "madrinha" do Belenenses na apresenta√ß√£o da sua equipa de H√≥quei em Campo. As visitantes mostraram todo o seu potencial e puseram em evid√™ncia as debilidades das «azuis», nomeadamente na baliza, tendo vencido por 6-0. Participaram, tamb√©m, a equipa de «honra» do CIF,  assim como a equipa da sua delega√ß√£o de Carcavelos.

No dia seguinte, nas Sal√©sias, no √Ęmbito do mesmo festival que decorreu com «muita anima√ß√£o», a equipa feminina de «basket» do Belenenses venceu (11-2) a equipa do "Feminino Atl√©tico do Porto". Em atletismo, a atleta Belenense, Luc√≠lia Silva, venceu a prova de 50 m em 7s e 7/10. Segunda classificada, Maria Carrelhas (F.A.P.) ficou a 2 metros. Na prova de 3x50m, venceram as «azuis»: Perp√©tua Pinto, Isaura Martins e Luc√≠lia Silva; 2¬ļ (F.A.P.): G. Brand√£o, M. Erc√≠lia Vidal e Maria Carrelhas. As portuense tiveram vantagem desde o inicio e, com a vit√≥ria assegurada, um engano da √ļltima corredora tirou-lhes o triunfo.

ūüŹÜ Passadas d√©cadas, o C.F. Os Belenenses, seria o primeiro campe√£o nacional de H√≥quei em Campo Feminino (√©poca de 1999-2000).

Vicente, vidro e sangue na queda do anjo


Eram cinco e um quarto da tarde. Dia pardacento de Outubro, em Lisboa. Vicente rodava suavemente pela auto-estrada. De casa, a caminho do Restelo, para sess√£o de banhos e massagens. Feliz da vida. Apesar das recorda√ß√Ķes tristes do Campeonato do Mundo. Uma, a fractura do pulso, que j√° passara. Outra, ainda n√£o totalmente apagada da mem√≥ria — a conquista do t√≠tulo, que escapara por um triz a Portugal, mas j√° esfumada pelo tempo, como um sonho arrojado que n√£o se concretizara. Mas sentia-se contente. Pensava na sua nova vida de casado, no filho que estava prestes a chegar, no prest√≠gio que semeara pelos campos de Inglaterra, neutralizando Pel√©, sabia que se dizia que o Vasco da Gama estava na predisposi√ß√£o de o contratar, oferecendo-lhe condi√ß√Ķes fabulosas.

Foi perto de Caselas. Uma furgoneta que virou para a direita, o seu autom√≥vel a galgar o passeio, embatendo violentamente num poste. Tudo num √°pice. Bateu com a cabe√ßa no p√°ra-brisas, estilha√ßou-se o vidro, um peda√ßo dele entranhou-se-lhe no olho... Saiu do carro para increpar o condutor da manobra perigosa, nem sequer se apercebeu de que jorrava sangue da face esfacelada. Operado de urg√™ncia, tentou-se o milagre. Em v√£o. Era o fim dram√°tico de um jogador diferente. «Lovely» Vicente.
In Hist√≥ria de 50 anos do desporto portugu√™s. Edi√ß√£o “A Bola”

Ra√ļl Figueiredo, no seu estilo inconfund√≠vel, intercepta de cabe√ßa

«Ra√ļl Ant√≥nio Leandro de Figueiredo, nasceu em Olh√£o em 10 de Mar√ßo de 1930, conta pois 28 anos - pujantes e ainda cheios de esperan√ßa. √Č que Figueiredo acalenta a f√© de vir a ser «internacional», como j√° fora, e brilhant√≠ssimo, o pai «Tamanqueiro». At√© aqui a sua chamada √† internacionaliza√ß√£o limitou-se ao Lisboa - Madrid, em 1955.
Figueiredo, antigo casapiano, representou unicamente o Belenenses, tendo sido j√ļnior em 1947/48. Chegou a treinar-se no Benfica. No Clube de Bel√©m sucedeu a outro grande «stopper» - Feliciano.»
⛹ Ra√ļl Figueiredo, foi 3 vezes «internacional» "A". Estreou-se a 3 de Junho de 1959 contra a Selec√ß√£o da Esc√≥cia (1-0). Foi o 30¬ļ jogador Internacional “A” do Clube de Futebol “Os Belenenses” (Ex aequo com Vicente).

Belenenses, Campe√£o Nacional de Rugby de 2007/08


O Belenenses conquistou o t√≠tulo de campe√£o nacional de r√Ęguebi, ao derrotar na final disputada esta tarde no Est√°dio Nacional a equipa de Agronomia, at√© esse momento campe√£ em t√≠tulo e grande vencedora das restantes provas do calend√°rio desta √©poca. O conjunto do Restelo triunfou por 22-21, com um ensaio de William Hafu nos √ļltimos instantes da partida, e p√īs fim ao “passeio” de Agronomia que este ano j√° tinha arrecadado a Ta√ßa Ib√©rica e a Superta√ßa.
In “O Jogo Online”

O Belenenses sagrou-se este s√°bado campe√£o nacional de r√Ęguebi, ao derrotar Agronomia por 22-21 numa final emotiva e decidida apenas nos instantes finais.
Com efeito, um ensaio do neozelandês William Hafu a dois minutos do fim da partida revelou-se decisivo para a conquista do título, o sexto na história do clube do Restelo.
Agronomia, que este ano já tinha arrecadado a Taça Ibérica, Supertaça e terminado a primeira fase do Campeonato na primeira posição, falhou o objectivo de revalidar o título nacional conquistado na época passada.
In “A Bola Online” 

Foto da autoria de Gonçalo Tavares que pode ver AQUI no site Belenenses Rugby. Post publicado originalmente em 03/05/2008

Jos√© Sim√Ķes, um brilhante futebolista e um devotado belenense

Jos√© Ribeiro Sim√Ķes
15 de Junho de 1913 - 20 de Julho de 1944

«Jos√© Sim√Ķes atingido por uma dessas doen√ßas, ainda mal conhecidas, desapareceu inesperadamente. O clube perde um dos seus maiores valores. Devotado belenenses, a sua ac√ß√£o foi fulgurante e a sua carreira excepcional, tanto em representa√ß√£o do pr√≥prio clube como na equipa nacional. Jogou pela primeira vez, em 5 de Maio de 1929, na equipa de infantis. Em 1931/32 sobe √† 1¬™ categoria. Morre, quando contava simplesmente 31 anos de idade, e estava em plena actividade.»
⛹ O C.F. «Os Belenenses» foi o seu √ļnico clube, onde jogou durante 13 √©pocas na categoria de honra e 2 √©pocas nas equipas infantis. ūüŹÜ Foi Campe√£o de Portugal, Vencedor da Ta√ßa de Portugal e Campe√£o de Lisboa. ūüö© 10 vezes internacional pela Selec√ß√£o Nacional "A". 

Alexandre Peics

10/10/1899 - 20/03/1965
S√°ndor Peics ou Aleksandar Peic ou ainda Alexandre Peics, cidad√£o Austro-H√ļngaro, nascido em P√©cs (ex-F√ľnfkirchen). Treinador do Belenenses nas √©pocas de 1943/44 e 1944/45. Campe√£o de Lisboa da √©poca de 1943/44.
« (...) De todos os clubes em que esteve, qual lhe deixou mais gratas recorda√ß√Ķes? - Sem o menor rebu√ßo lhe afirmo que foi “Os Belenenses”, respondeu-nos sem hesitar.
- √Č uma agremia√ß√£o que estimo e admiro pelo trabalho digno e s√©rio, como me foi dado observar de perto.
Todos os jogadores que comigo privaram foram e são meus amigos. Disciplinados e acatadores, facilitaram-me a missão. Entre tantos quero citar-lhe os nomes de Feliciano, Serafim e Sério, excelentes jogadores e óptimos caracteres, numa modesta homenagem aos atletas belenenses.
Recordo com emo√ß√£o sentida, que me d√° prazer imenso, a turma de juniores desse tempo, um bloco de rapazes cheios de valor e que hoje atestam de forma destacada que a minha passagem pelo clube n√£o foi desproveitosa nem desastrosa, Figueiredo, David, Pinto de Almeida, Rocha, Andrade, Narciso Pereira e outros, componentes da equipa de juniores por mim treinada, provam claramente que as bases foram boas. Isso me basta para sossego da minha consci√™ncia. (...) » Trecho de uma entrevista √† Revista “Stadium” de 23 de Agosto de 1950
Post publicado originalmente em 19/03/2008

Jerónimo José Morais

Jer√≥nimo Jos√© Morais, o «Cachucho», guarda-redes do Belenenses. Foi bi-campe√£o de Portugal e tri-campe√£o de Lisboa, na categorias de "Honra" e campe√£o de Lisboa na categoria de "Reservas" e "Segundas", durante as √©pocas que representou o clube: 1928/29 a 1935/36.
A foto "√† civil" foi publicada em «A Bola Magazine», edi√ß√£o de Janeiro de 1996. Post publicado originalmente em 10/02/2008