Matateu, faleceu há 10 anos


A arte da caricatura para lembrar Sebastião Lucas da Fonseca "Matateu". Natalino, Pargana, Francisco Zambujal, Galvão e Miguel Salazar, os artistas que caricaturaram o eterno símbolo do Belenenses.


« Faleceu quinta-feira às 9 horas de Lisboa (uma da madrugada no Canadá), no Vitoria General Hospital, acabando assim por ceder ao cancro ósseo e leucemia. Havia entrado em estado de coma há três dias, pelo que o falecimento era uma questão de tempo.
Será cremado e as cinzas entregues ao Belenenses, por vontade do irmão Vicente e da filha Argentina.
Ponto. Parágrafo. O homem já não está entre nós, mas a memória vive com força. A recordação de um dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos merece homenagem condigna.
Antes de Eusébio, o rei era Matateu, um ídolo nacional que não vestiu a camisola de um dos três grandes.
Mas o Belenenses também foi grande com Matateu, melhor marcador em 52/53 (29) e 54/55 (32).
Lembrar Matateu é recordar o jovem moçambicano, nascido a 26 de Julho de 1927, que rumou ao Belenenses em 1951 e se estreou após duas semanas de treinos, ante o FC Porto.
Agradou a toda a gente e o adversário seguinte, o Sporting, conheceu a sua veia goleadora, perdendo, por 4-2, com dois golos do avançado. Foi o começo.
Em 291 jogos do Campeonato Nacional, marcou 217 golos. Foi internacional 27 vezes, marcando 17 golos. Venceu uma Taça de Portugal (1960), duas Taças de Honra (1959 e 1960) e participou na Taça Latina (1954), onde foi considerado o melhor jogador.
Em 1964 saiu do Belenenses num processo polémico e foi ajudar o Atlético a subir de Divisão. Passou pelo Amora e emigrou para o Canadá, onde continuou a carreira até quase 50 anos.
A "oitava maravilha", como lhe chamou o jornal inglês "Daily Sketch", após um jogo entre as selecções portuguesa e inglesa, em 1955, parecia uma sombra de si mesmo ante a Argentina, a 28 de Novembro de 1954.
No intervalo, o seleccionador Tavares da Silva dá-lhe a notícia: "Já és pai."
Na segunda parte o jogador é um diabo à solta. À filha dá o nome de Argentina.
Há muito radicado no Canadá, Matateu acabou por considerar aquele país a sua pátria.
Voltou a pisar solo português em poucas ocasiões, tendo sido, numa delas, agraciado com a Medalha de Mérito Desportivo, atribuída pelo Governo português. A doença levou a melhor aos 72 anos.» In jornal "Record" de 28/01/2000

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