Uma popularidade instantânea - Matateu... Chegou, viu e venceu !

(...) Quando Matateu chegou a Lisboa vindo de Lourenço Marques por via marítima, não houve aquele movimento desusado que sempre caracteriza a chegada das grandes "estrelas". Nem mesmo os torcedores do Belenenses, clube a que vinha endereçado, se dignaram ir esperá-lo ao cais de desembarque. Era mais um futebolista que chegava, mais um "ambicioso" que vinha tentar a sua sorte, possivelmente como tantos outros - a maioria - que chega com a cabeça cheia de sonhos e a bagagem técnica vazia ...
Não se verificou qualquer espécie de entusiasmo com a chegada de Matateu. Apenas os dirigentes do Belenenses estavam presentes; e Lisboa viu-o pela primeira vez no dia 4 de Setembro de 1951, quando um grande transatlântico de largas chaminés o deixou em terra metropolitana depois de centenas de horas monótonas e fatigantes.
Seu nome verdadeiro - Lucas Sebastião da Fonseca.
No entanto por uma questão de hábito entre os naturais da colónia, deram-lhe uma alcunha - Matateu. E ninguém lá o conhecia de outra maneira, tal como agora em Portugal. Por quê ? porque Matateu é um daqueles "nomes de guerra" que se fixa com facilidade e agrada repetir. É estranho e ao mesmo tempo indecifrável e sem sentido; mas possui indiscutível feição popular !
Chegou sem espavento e estreou sem alardes. Por sinal no maravilhoso relvado do Jamor. Ele nunca tinha visto um estádio assim; olhou as linhas elegantíssimas do recinto, fixou a grama e quedou-se espantado. Jogar em cima da relva tão bem tratada ? Até então apenas conhecera campos "carecas", aonde aprendera a manejar o couro e realizar bonitas jogadas, tantas que o seu nome chegou até aos ouvidos dos dirigentes do Belenenses ...
A estreia de Matateu com a camiseta azul da Cruz de Cristo não foi um sucesso; mas também não foi um fracasso. Qualidades demonstrou iniludívelmente, mas era fácil reconhecer que estava desambientado, não conhecia os companheiros e estes não o conheciam, o gramado era desconhecido para ele, a moldura do Estádio esmagava-o ! (...)
Excerto de uma reportagem publicada no jornal "O Globo" (Rio de Janeiro, Brasil) na edição de 20 de Agosto de 1952, de autoria de Álvaro Melo e Silva

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