Djalma Nascimento Freitas, foi o verdadeiro artista da bola


[...] Findo o contrato com o FC Porto, Djalma mudou-se então para o Belenenses, que tinha marcada para Junho uma das então habituais digressões a Angola.
Mas Djalma não resistiu aos apelos de uma das namoradas e conseguiu convencer o médico Camacho Vieira de que estava lesionado.  Foi desconvocado.
No domingo seguinte, atropelou e matou três pessoas.
«Já tinha começado a beber na sexta-feira e no domingo fui a Santa Apolónia buscar uma encomenda que chegava todas as semanas do Norte (eu não gostava do vinho de Lisboa...).
A `Isabel' [nome adaptado] foi comigo no Alfa Romeo. 
No caminho, perto da Ponte Salazar, surgiu um camião com os máximos ligados. 
Deixei de ver e atropelei uma senhora, a filha e o namorado.
Ouvi gritos e fugi, mas o motor do carro gripou mais à frente. 

Pedimos boleia e parou um carro. Entramos e vimos que era o comandante da polícia. Deixou-nos em casa, na Reboleira. Não demorou meia hora a virem buscar-me. 

Estava de pijama. Levaram-me para a esquadra, mas eu estava tão bêbado que me deitaram numa cama. Adormeci logo e só acordei ao outro dia. Levaram-me a fazer o reconhecimento do acidente e apareceu lá o marido da falecida».
Um director do Belenenses quis pagar a fiança, mas Djalma não deixou. 
Foi condenado a 15 meses de prisão, mas a acusação recorreu e a pena foi aumentada para dois anos, castigo que os regulamentos impediam de continuar a jogar futebol.

Por intervenção de alguns governantes adeptos do Belenenses, como foi o caso de Américo Tomás, e após novo recurso, retiraram-lhe 15 dias de prisão.

Ficou preso no Montijo, mas ao fim de sete meses foi transferido para Sintra. 

«O Meirim era o treinador do Belenenses e mandou que me colocassem um colchão de espuma na prisão. Fiquei na ala B; a A era para os comunistas». Saiu em 1970 e seguiu directamente para o aeroporto para ir jogar às Antas.  No Porto, a primeira coisa que fez foi ir ao barbeiro.

«Fui ao Albino. Quando eu jogava no FC Porto ele ia todos os domingos, às 11 horas, pentear-me ao Lar do FC Porto, onde eu vivia.  Era para eu entrar bonito em campo».

Como soube que afinal não ia jogar, foi recordar os velhos tempos ao Tamariz. [...]

  • Autor: Bruno Prata/Público. Se quiser ler o artigo na integra clique AQUI
  • Post originalmente publicado em 15/10/2008
  • Djalma, faleceu a 14 de Junho de 2012

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