Nunca meti o Pelé no bolso, como gostam de dizer


«Diz-se que geralmente ‘secava’ Pelé. É positivo o saldo dos confrontos com aquele que é considerado o melhor jogador de sempre?
- Joguei contra ele seis vezes. Duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Não fiz nada de especial, nunca o meti no bolso, como gostam de dizer.
OK. Qual foi o jogo em que lhe deu mais trabalho?
- Todos pensam que foi no Mundial. Foi difícil marcá-lo em todos os jogos. Mas vocês só falam de Pelé. Encontrei jogadores anónimos que fintaram, marcaram golos, fizeram tudo comigo. Desses ninguém fala.
Quem era mais difícil de marcar: Pelé ou Eusébio?
- São jogadores com diferentes características e posições. O Eusébio como vinha de trás e podia aparecer em todo o lado, marcava-o à zona. O Pelé como ficava lá ao pé de mim, não lhe podia conceder um milímetro, se fosse á casa de banho, ia com ele.
É verdade que Pelé levou porrada até dizer chega? 
- Não vi nenhuma, sem ser aquela do Morais naquele famoso lance. As pessoas estão sempre a defender o Pelé mas esquecem-se que ele era um jogador malandreco. A jogar metia o pé por cima da bola e mais nada.» 
📰 Excerto de uma entrevista de Vicente ao jornal "A Bola", edição de 20 de Junho de 2007.
⛹ Vicente Lucas, foi titular em seis jogos contra a selecção do Brasil: a 06/05/1962, em S. Paulo (derrota, 1-2); a 09/05/1962, no Rio de Janeiro (derrota, 0-1), em Lisboa a 21/04/1963; (vitória, 1-0), no Rio de Janeiro a 07/06/1964; (derrota, 1-4), no Porto a 24/06/1965 (0-0); e em Liverpool, a 19/07/1966 (vitória, 3-1).

Vicente (Belenenses) indiscutível «rei» em pendularidade

Vicente, "Figura do mês" de Abril de 1966 do Boletim Informativo da Associação de Futebol de Lisboa, por ter vencido o «Prémio Regularidade» da época 1965/66, instituído pelo jornal «Mundo Desportivo. 

Os irmãos Matateu e Di Pace causaram com os seus lances constante atrapalhação na defesa dos «estudantes»

“Vicente, desembaraçou-se de Torres e de Azeredo e caminha para a baliza. 
Mas não foi golo…”
⚽ Domingo, 26 de Setembro de 1954. Jogo da 3ª jornada do campeonato, no campo das Salésias, com assistência numerosa. Árbitro: Cunha Pinto, de Setúbal.
⛹ Belenenses - José Pereira; Francisco Rocha e Serafim das Neves; Pires, Raúl Figueiredo e Diamantino; Vinagre, Di Pace, Matateu, Vicente e Angeja. Treinador: Fernando Riera
⛹ Académica - Ramin; Mário Torres e Melo; Abreu, Mário Wilson e Azeredo; Peridis, Abreu, Mota, Francisco André e Bentes.
Marcha do Marcador: 1-0, por Di Pace, aos 5'; 2-0, por Matateu, aos 8'; 2-1, aos 10' por Torres, de penalty; 2-2. aos 30' por Mário Wilson; 3-2, aos 64' por Matateu, de penalty; 4-2, aos 70' auto-golo de Torres; 5-2, aos 77' por Matateu; 6-2, aos 89', também por Matateu. Resultado final: Belenenses, 6 - Académica, 2.

A 1ª equipa Feminina de Hóquei em Campo do Belenenses faz hoje 80 anos que se estreou em competição

Campo das Amoreiras, sábado, dia 12 de Junho de 1937. «Torneio de Hockey», integrado no «Festival Feminino» organizado pelo Belenenses. A equipa do "Feminino Atlético do Porto" foi "madrinha" do Belenenses na apresentação da sua equipa de Hóquei em Campo. As visitantes mostraram todo o seu potencial e puseram em evidência as debilidades das «azuis», nomeadamente na baliza, tendo vencido por 6-0. Participaram, também, a equipa de «honra» do CIF,  assim como a equipa da sua delegação de Carcavelos.

No dia seguinte, nas Salésias, no âmbito do mesmo festival que decorreu com «muita animação», a equipa feminina de «basket» do Belenenses venceu (11-2) a equipa do "Feminino Atlético do Porto". Em atletismo, a atleta Belenense, Lucília Silva, venceu a prova de 50 m em 7s e 7/10. Segunda classificada, Maria Carrelhas (F.A.P.) ficou a 2 metros. Na prova de 3x50m, venceram as «azuis»: Perpétua Pinto, Isaura Martins e Lucília Silva; 2º (F.A.P.): G. Brandão, M. Ercília Vidal e Maria Carrelhas. As portuense tiveram vantagem desde o inicio e, com a vitória assegurada, um engano da última corredora tirou-lhes o triunfo.

🏆 Passadas décadas, o C.F. Os Belenenses, seria o primeiro campeão nacional de Hóquei em Campo Feminino (época de 1999-2000).

Vicente, vidro e sangue na queda do anjo


Eram cinco e um quarto da tarde. Dia pardacento de Outubro, em Lisboa. Vicente rodava suavemente pela auto-estrada. De casa, a caminho do Restelo, para sessão de banhos e massagens. Feliz da vida. Apesar das recordações tristes do Campeonato do Mundo. Uma, a fractura do pulso, que já passara. Outra, ainda não totalmente apagada da memória — a conquista do título, que escapara por um triz a Portugal, mas já esfumada pelo tempo, como um sonho arrojado que não se concretizara. Mas sentia-se contente. Pensava na sua nova vida de casado, no filho que estava prestes a chegar, no prestígio que semeara pelos campos de Inglaterra, neutralizando Pelé, sabia que se dizia que o Vasco da Gama estava na predisposição de o contratar, oferecendo-lhe condições fabulosas.

Foi perto de Caselas. Uma furgoneta que virou para a direita, o seu automóvel a galgar o passeio, embatendo violentamente num poste. Tudo num ápice. Bateu com a cabeça no pára-brisas, estilhaçou-se o vidro, um pedaço dele entranhou-se-lhe no olho... Saiu do carro para increpar o condutor da manobra perigosa, nem sequer se apercebeu de que jorrava sangue da face esfacelada. Operado de urgência, tentou-se o milagre. Em vão. Era o fim dramático de um jogador diferente. «Lovely» Vicente.
In História de 50 anos do desporto português. Edição “A Bola”

Raúl Figueiredo, no seu estilo inconfundível, intercepta de cabeça

«Raúl António Leandro de Figueiredo, nasceu em Olhão em 10 de Março de 1930, conta pois 28 anos - pujantes e ainda cheios de esperança. É que Figueiredo acalenta a fé de vir a ser «internacional», como já fora, e brilhantíssimo, o pai «Tamanqueiro». Até aqui a sua chamada à internacionalização limitou-se ao Lisboa - Madrid, em 1955.
Figueiredo, antigo casapiano, representou unicamente o Belenenses, tendo sido júnior em 1947/48. Chegou a treinar-se no Benfica. No Clube de Belém sucedeu a outro grande «stopper» - Feliciano.»
⛹ Raúl Figueiredo, foi 3 vezes «internacional» "A". Estreou-se a 3 de Junho de 1959 contra a Selecção da Escócia (1-0). Foi o 30º jogador Internacional “A” do Clube de Futebol “Os Belenenses” (Ex aequo com Vicente).

Belenenses, Campeão Nacional de Rugby de 2007/08


O Belenenses conquistou o título de campeão nacional de râguebi, ao derrotar na final disputada esta tarde no Estádio Nacional a equipa de Agronomia, até esse momento campeã em título e grande vencedora das restantes provas do calendário desta época. O conjunto do Restelo triunfou por 22-21, com um ensaio de William Hafu nos últimos instantes da partida, e pôs fim ao “passeio” de Agronomia que este ano já tinha arrecadado a Taça Ibérica e a Supertaça.
In “O Jogo Online”

O Belenenses sagrou-se este sábado campeão nacional de râguebi, ao derrotar Agronomia por 22-21 numa final emotiva e decidida apenas nos instantes finais.
Com efeito, um ensaio do neozelandês William Hafu a dois minutos do fim da partida revelou-se decisivo para a conquista do título, o sexto na história do clube do Restelo.
Agronomia, que este ano já tinha arrecadado a Taça Ibérica, Supertaça e terminado a primeira fase do Campeonato na primeira posição, falhou o objectivo de revalidar o título nacional conquistado na época passada.
In “A Bola Online” 

Foto da autoria de Gonçalo Tavares que pode ver AQUI no site Belenenses Rugby. Post publicado originalmente em 03/05/2008

A chegada da «Taça de Portugal de 1989» ao Estádio do Restelo

Estádio do Restelo, final da tarde do dia 28 de Maio de 1989. A Taça de Portugal
chega a casa, pelas mãos de António Ferro, roupeiro do Clube

José Simões, um brilhante futebolista e um devotado belenense

José Ribeiro Simões
15 de Junho de 1913 - 20 de Julho de 1944

«José Simões atingido por uma dessas doenças, ainda mal conhecidas, desapareceu inesperadamente. O clube perde um dos seus maiores valores. Devotado belenenses, a sua acção foi fulgurante e a sua carreira excepcional, tanto em representação do próprio clube como na equipa nacional. Jogou pela primeira vez, em 5 de Maio de 1929, na equipa de infantis. Em 1931/32 sobe à 1ª categoria. Morre, quando contava simplesmente 31 anos de idade, e estava em plena actividade.»
⛹ O C.F. «Os Belenenses» foi o seu único clube, onde jogou durante 13 épocas na categoria de honra e 2 épocas nas equipas infantis. 🏆 Foi Campeão de Portugal, Vencedor da Taça de Portugal e Campeão de Lisboa. 🚩 10 vezes internacional pela Selecção Nacional "A". 

Alexandre Peics

10/10/1899 - 20/03/1965
Sándor Peics ou Aleksandar Peic ou ainda Alexandre Peics, cidadão Austro-Húngaro, nascido em Pécs (ex-Fünfkirchen). Treinador do Belenenses nas épocas de 1943/44, 1944/45 e 1950/51. Campeão de Lisboa da época de 1943/44.
« (...) De todos os clubes em que esteve, qual lhe deixou mais gratas recordações? - Sem o menor rebuço lhe afirmo que foi “Os Belenenses”, respondeu-nos sem hesitar.
- É uma agremiação que estimo e admiro pelo trabalho digno e sério, como me foi dado observar de perto.
Todos os jogadores que comigo privaram foram e são meus amigos. Disciplinados e acatadores, facilitaram-me a missão. Entre tantos quero citar-lhe os nomes de Feliciano, Serafim e Sério, excelentes jogadores e óptimos caracteres, numa modesta homenagem aos atletas belenenses.
Recordo com emoção sentida, que me dá prazer imenso, a turma de juniores desse tempo, um bloco de rapazes cheios de valor e que hoje atestam de forma destacada que a minha passagem pelo clube não foi desproveitosa nem desastrosa, Figueiredo, David, Pinto de Almeida, Rocha, Andrade, Narciso Pereira e outros, componentes da equipa de juniores por mim treinada, provam claramente que as bases foram boas. Isso me basta para sossego da minha consciência. (...) » Trecho de uma entrevista à Revista “Stadium” de 23 de Agosto de 1950
Post publicado originalmente em 19/03/2008