E se tivéssemos enviado um nadador a Los Angeles ?


Ao alto: a primorosa “largada” de João Silva Marques. Em baixo: inspiração correcta; boca bem aberta, ao nível da água, os braços bem esticados e os dedos bem unidos. Em cima: como Silva Marques realiza as “viragens”. Á direita: Silva Marques é um atleta bem lançado.


In “O Notícias Ilustrado” de 23 de Outubro de 1932

José Silva de Oliveira «Bife»


Morreu o maior goleador de Mato Grosso (MS/Brasil). Artilheiro do Estádio Governador José Fragelli, morre aos 57 anos.
Morreu ontem (*), aos 57 anos, o ex-jogador José Silva de Oliveira, o “Bife”. 
Maior ídolo da história do futebol mato-grossense, ele tinha cirrose hepática, diabetes e estava há quase uma semana internado com um quadro de infecção generalizada. 
Detentor do recorde de gols marcados no estádio Verdão – 92, com as camisas de Mixto e Operário - Bife foi enterrado no Cemitério Municipal de Várzea Grande, sob o aplauso de torcedores, amigos e muitos ex-jogadores. 
Um triste reencontro para quem viveu, ou acompanhou das arquibancadas, alguns dos melhores momentos do futebol profissional do Estado. 
“Nunca houve um centro-avante como ele em Mato Grosso”, relembrou o ex-jogador Djalma de Oliveira, companheiro de Bife no Mixto. 
Rápido, mas com grande controle da bola. Eficiente, sem abdicar da beleza do toque. Bife conseguia estar sempre no tempo certo da bola e raramente perdia o equilíbrio. Essa combinação de talentos era um pesadelo para os marcadores. 
“Era muito veloz na arrancada. Mesmo assim, tinha domínio da bola e só fazia gol bonito”, disse o irmão e também ex-jogador Gerônimo Silva de Oliveira, o “Peninha”. “Além de irmão e quase um pai, pois foi quem me criou desde pequeno, era também o meu ídolo”. O talento sem igual o trouxe de Aquidauna para Campo Grande – então, no sul de Mato Grosso. 
“Aos 15 anos de idade, Bife já era campeão com o time adulto da cidade. 
Quando foram buscá-lo para o Operário de Várzea Grande, já sabiam que se tratava de um jogador diferenciado”. Como profissional, Bife teve passagens pelo Comercial, Mixto, União de Rondonópolis e São Bento (SP). 
Também chegou a ser contratado, por indicação do técnico Telê Santana, pelo Atlético Mineiro. 
“Ele ficou pouco tempo por lá, pois teve saudade dos filhos”, contou Peninha. 
Seu talento também o levou a Portugal, onde defendeu as cores do Futebol Clube do Porto e do Belenenses por um ano e meio. “No Porto, ele chegou a vice-artilheiro da temporada. Chegou a ter um rendimento melhor do que o craque do time à época”. 
Bife, porém, nunca chegou a atingir em outros gramados a dimensão alcançada por aqui. “Aqui ele foi o maior ídolo, um craque sem igual. 
E esta é uma lembrança que guardarei para sempre comigo”, dizia, entre lágrimas, o torcedor do Mixto, Frank Sabiá. 
Bife morreu pobre. Para a segunda mulher e os seis filhos – a mais nova, Rita de Cássia, com apenas sete anos – deixou apenas uma casa popular e um carro com mais de 20 anos de uso. 
Para a torcida, ficará a lembrança de gols, títulos e um sorriso que deixará saudades.
(*) 16/02/2007 - Rodrigo Vargas e Admar Portugal In “Diário de Cuiabá” de 17/02/2007


E por que ele se chamava “Bife” no futebol? Dia 31 de Maio de 2008, fui até Cuiabá e soube. O apelido do craque deu-se quando ele tinha 12 para 13 anos, já era um bom jogador entre a molecada, e sua mãe era “marmiteira”. Ou seja, ela preparava e entregava 150 marmitas por dia para os soldados de um quartel.

E a entrega era em três viagens numa velha camionete de um tio. Bife viajava atrás segurando as marmitas para que a comida não derramasse. Um dia, as marmitas estavam muito cheirosas, ele abriu uma e comeu o bife que ficava em cima do arroz e do feijão. E estava tão bom que comeu 15 bifes, ficando 35 sem “mistura”.
Entrega feita, os soldados, famintos, “sorteados” pela ausência da preciosa mistura, chiaram com o sargento. Na entrega seguinte, o moleque foi “detido” e confessou. A mãe dele não foi destituída do fornecimento, o moleque continuou fazendo as entregas, nunca mais aprontou, mas ficou com o apelido de “Bife”! Não é uma maravilha?
Texto de Reinaldo Gonçalves de Queirós

A História Dramática de Dudu !

⛹Para encontrar Dudu, em Arraial do Cabo, basta uma pergunta no Centro. Logo aparece o botequim, point do ex-cabeça-de-área do Vasco na década de 80.
Na rua atrás, a casa humilde que não evaporou com o álcool.
Atualmente, orgulha-se de sentar à mesa para beber água mineral com gás e falar do seu drama para que a nova geração evite o primeiro gole e se proteja das tentações.
 - Eu posso ser exemplo. Hoje, o garoto só gasta o dinheiro que tem por que quer...
O Dudu que tinha facilidade para engordar quando jogador, está magro, com uma cicatriz no rosto e refaz a vida após, perdido no alcoolismo, desfazer de todos bens: carros, apartamentos... 

A mulher do primeiro casamento, com quem teve as filhas Luana e Samanta, não resistiu aos excessos.
Craque em potencial, Dudu conta ter vivido entre os socialites. Era festa atrás de festa. Garrafas e garrafas de uísque. Do treino para a bebida, da bebida para o treino.
Um ciclo vicioso que ele, nos momentos de arrependimento e depressão, tentava vencer, sem sucesso:
 - Eu me entreguei de vez quando meu pai morreu. Tive falsos amigos, que se afastaram logo que a vida ficou ruim. No auge, todos te rodeiam. Estava no meio dos socialites. Passei a extrapolar. 
Eu me tratei na força de Deus. Nunca fui ao AA (Alcoólicos Anônimos). 
⮚ In "Extra" de 2 de abril de 2008
⛹Com a camisola do Belenenses, Carlos Eduardo Alberiz, o Dudu (popularmente conhecido no Brasil como o Dudu Dentão), foi Campeão Nacional da 2ª divisão de 1983/84, 3º classificado no campeonato nacional da época de 1987/88 e Vencedor da Taça de Portugal de 1989.
Dudu na Selecção Brasileira que conquistou o Torneio de Toulon de 1980
Luis Cláudio, Édson Boaro, Dudu, Marolla, Mozer e João Luis
Robertinho, Cristóvão, Baltazar, Mário e João Paulo

Vasco da Gama, temporada de 1983
Galvão, Orlando Fumaça, Celso, Serginho, Pedrinho e Acácio
Dudu, Pedrinho Gaúcho, Elói, Roberto Dinamite e Almir

Miguel Quaresma, Jorge Silva, Jaime, José António, Pereirinha, Justino, 
Rúben Cunha, Joel, Djão, Dudu e Sambinha

Campeões Nacionais da 2ª divisão - 1983/84

Anaïs, Vice-Campeã Nacional de Triatlo

Um mês após conquistar o titulo de campeã nacional de triatlo na categoria júnior, Anaïs Moniz, sagrou-se hoje vice-campeã nacional sénior.
A vice-campeã nacional completou a prova dos 1.500 metros de natação, na praia do Tamariz, os 40 quilómetros de ciclismo, na Avenida Marginal, e os 10 quilómetros de corrida, nos Jardins do Casino do Estoril, em 2h16m5s contra 2h7m50s da campeã, Vanessa Fernandes.

Foto do site da Anaïs

O primeiro dia de Jaime Pacheco no Belenenses


Lisboa, 10 Outubro - Jaime Pacheco orienta pela primeira vez um treino no Estádio do Restelo como técnico do Belenenses. “Não sou um salvador, venho cá para trabalhar” foi uma das tónicas na pequena palestra inicial.
Foto e legenda do "Record Online"

"Por sua vez, Jaime Pacheco procura não só a confiança como também a união dum balneário que já conheceu dias melhores. Para o conseguir espera ter em José Pedro um aliado de peso e, assim, mostrar que o desaguisado com o médio já faz parte do passado e agora estão os dois no mesmo barco e a remar para o mesmo lado. "
Foto e texto: "A BOLA" de hoje, 11 de Outubro de 2008

Jaime Pacheco: «Agora sou do Belenenses»

"Estou aqui com o cachecol porque agora sou do Belenenses e vou provar isso no dia-a-dia. Quero pôr o clube no lugar que merece. O Belenenses é um clube muito grande e por ele vou dar tudo o que posso e tenho", prometeu o sucessor de Casemiro Mior.

Foto e texto do"Record Online"
 Jaime Pacheco junto de figuras lendárias do Clube

Carlos Ribeiro

Vencedor da Taça de Portugal

César de Matos e Augusto Silva, titulares no 1º França - Portugal


Um ataque dos portugueses
Toulouse, 18/04/1926. I Portugal-França. Resultado 2-4. Augusto Silva, marcou um dos dois golos dos portugueses. Dois Belenenses foram titulares: César de Matos e Augusto Silva (sexto e décimo, a contar da esquerda para a direita).
O futuro Seleccionador Nacional de futebol e futuro Presidente do Belenenses, Salvador do Carmo, foi um dos fiscais de linha (primeiro da esquerda para a direita)

Expressivo documento do jogo Sporting - Belenenses: râguebi ou polo aquático?...

"Com a primeira jornada da "Taça António Valente", abriu no domingo a nova época de râguebi. Para começar, não se pode dizer que tenha sido alentadora a jornada.
Todos os campos lisboetas estavam grandemente enlameados, e a chuva "assistiu" copiosamente aos vários encontros disputados.
Na foto, um expressivo documento do jogo Sporting-Belenenses, que os "azuis" venceram por 9-3, depois de árdua luta contra o adversário e contra os elementos atmosféricos - outro adversário, este comum"

In "SPORT ILUSTRADO" de 3 de Dezembro de 1958

O Belenenses é o grande favorito do Campeonato de Lisboa de football da época de 1928/29

O “onze” do Club de Football “Os Belenenses”, que marcha á frente da classificação do Campeonato de Lisboa com 11 pontos e que é o ”team” considerado grande favorito do actual Campeonato de Lisboa. O Belenenses defronta-se hoje com o Casa Pia Atlético Club

Cândido Fernandes Plácido de Oliveira

Nasceu em Fronteira, em 24/09/1886 e faleceu em Estocolmo (Suécia), 
em 23/06/1958, durante a realização do campeonato do mundo de futebol
[...] O Belenenses tem boas recordações de Mestre Cândido de Oliveira. O grande homem do Desporto ajudou a cimentar os alicerces do Clube, nos célebre e honrosos tempos dos “rapazes da praia”...Mais tarde, ajudou a consolidá-lo. Viveu os seus períodos áureos, nas gerações de Artur José Pereira, Augusto Silva e, até Mariano Amaro.[...] Homero Serpa
[...] Cândido de Oliveira, homem excepcional. Foi ele que durante a prolongada doença de Artur José pereira, graciosamente e por amizade ao nosso querido jogador e treinador, desempenhou as funções de orientador técnico das nossas equipas. [...] Acácio Rosa 
[...] Bonacheirão, amigo do seu amigo, era em si que assentava a defesa de todas as causas, desde que nelas existisse um desejo de justiça, um pouco de sensibilidade, um pouco de amor e de coração.[...] Acácio Rosa
  • Treinador do Belenenses, na parte final da época de 1936/37 (substituindo por motivos de doença, Artur José Pereira) e na época 1937/38

A Equipa Feminina de Atletismo do Belenenses de 1934

A equipa feminina de atletismo do Belenenses que tomou parte nas 
provas desportivas dos festejos do XV aniversário do Clube
Os Belenenses, festejaram com um magnífico programa de festas desportivas, em cuja organização colaboraram entusiasticamente os seus sócios.
Nestes quinze anos de peleja pela boa causa do desporto o “Belenenses” tem-se afirmado uma unidade de destaque entre as agremiações desportivas nacionais muito lhe devendo o país pelo muito que tem concorrido para a educação física.

A Equipa de Ciclismo do Belenenses na "Volta a Portugal" de 1934

A equipa de ciclismo do Belenenses que participou na 5ª Volta a Portugal

Equipa de honra do C.F. “Os Belenenses” da época 1959/60


José Pereira, Raúl Moreira, Vicente Lucas, Tonho, 
Castro, Carvalho, Matateu, Rosendo, Pires, Estêvão, 
José Dimas, Mário Paz e Hugo “Chachiro” Chávez

Rúben da Costa Cunha

Póvoa do Varzim, 25/03/1955
Jogador do Belenenses de 1982/83 a 1984/85
Campeão nacional da 2ª divisão 1983/84

Paulo Monteiro


Almada, 14/06/1964
Jogador do Belenenses de 1985/86 a 1991/92
Vencedor da Taça de Portugal de 1988/89
Finalista da Taça de Portugal de 1985/86

89º Aniversário do Clube de Futebol "Os Belenenses"

João Silva Marques com Severo Tiago ao seu lado, 
foi o porta-estandarte na Parada do 16º Aniversário



O primeiro "onze" do Clube de Futebol "Os Belenenses", em 1919 – Joaquim Rio, Carlos Sobral, Francisco Pereira, Aníbal dos Santos, Manuel Veloso, Mário Duarte, Arnaldo Cruz, Alberto Rio, Edmundo Campos, Romualdo Bugalho e Artur José Pereira.
A primeira Junta Directiva do Belenenses (tomou posse no dia 2 de Outubro de 1919) era composta dos seguintes sócios-fundadores:
Presidente: Eng. Reis Gonçalves. Vogais: Dr. Virgílio Paula, Hermenegildo Candeias, Carlos Sobral, Joaquim Dias e Júlio Teixeira Gomes. Capitão Geral: Henrique Costa

Assinaturas dos Atletas do Grupo de Honra do Clube de Foot-Ball "Os Belenenses" Vencedores do Campeonato Nacional de Football de 1946"Reconhecem-se, entre outras, as assinaturas de Augusto Silva, Mariano Amaro, Rafael Correia, Manuel Capela, Vasco Oliveira, António Feliciano, Manuel Andrade, Francisco Gomes, Serafim das Neves, Artur Quaresma e José Pedro.
O "Belenenses Ilustrado" celebra o octogésimo nono aniversário do Clube evocando a equipa pioneira e um grupo de atletas e dirigentes que assinaram a ouro, páginas de glória da História do Belenenses

A última vez que o Belenenses venceu no Alvalade velho... e no novo

Este Dezembro, um dia depois do Natal, passam 54 anos sobre a última vitória do Belenenses como visitante frente ao Sporting. Daí para cá tiveram lugar 49 clássicos e a supremacia sportinguista é esmagadora.
Ainda por cima os azuis do Restelo nem sequer podem dizer que o último triunfo foi conseguido no Estádio de Alvalade, já que essa vitória teve lugar... no Jamor.
Aliás, para que conste, o vizinho dos leões nunca ganhou no Alvalade velho... nem no Alvalade novo.
Recuando-se, então, no tempo, rapidamente chegamos a essa tarde (era o tempo, belo e sonoro, da rádio!) de domingo de 26 de Dezembro no Jamor, cumpria-se a jornada número 13 do campeonato da época 1954/55, que viria a ter o Benfica por campeão no final das 26 rondas, com 39 pontos, os mesmos do Belenenses e mais 2 que o Sporting — o tal campeonato que os azuis já davam como certo mas os leões, nas Salésias, entregaram ao Benfica, com o golo do empate (a dois) obtido por Martins a quatro minutos do final. 
No Estádio Nacional o Sporting, quatro vezes campeão nacional consecutivas e a sonhar com o penta, não conseguiu aguentar um Belenenses candidato e com múltiplas opções, como muito bem definiu em A BOLA o saudoso mestre Vítor Santos, que na sua crónica titulou «A melhor equipa de Belém venceu excelentemente a 'actual' turma leonina». 
Azuis que ganharam vantagem ao minuto 54, numa cabeçada de Matateu; 13 minutos mais tarde os leões chegaram ao empate, também de cabeça, por outro moçambicano, Juca, mas com muitas culpas para José Pereira; aos 83 outra vez Matateu, novamente de cabeça, bateu Carlos Gomes e 2-1 para Belém.

Arbitrado pelo celebérrimo Inocêncio Calabote, que expulsou Mendonça a 21 minutos do final por este ter pontapeado Pires, as duas equipas apresentaram:

SPORTING — Carlos Gomes; Caldeira e Pacheco; Hrotko, Passos (cap.) e Juca; Hugo, Vasques, Martins, Travaços e Mendonça

BELENENSES — José Pereira; Pires e Serafim (cap.); Castela, Raul Figueiredo e Vicente; Di Pace, Dimas, Matateu, Perez e Tito
In "A Bola" de 20 de Setembro de 2008

Novo tão velho Belenenses

"No Belenenses, gente que se sumiu, mas que nunca se assumiu na explicação impossível de uma desvairada carrada de pernas de pau do Brasil, tem o desplante de dizer mal da gestão alheia..."


EM miúdo, ia pela mão de um dos meus tios ver todos os jogos do Belenenses ao Restelo.
Um quarto de hora antes das três da tarde, de cada domingo, fizesse frio ou calor, chuva ou sol, via o meu tio Armando e o meu primo Hélder ao fundo da rua.
Descia as escadas a correr e às três em ponto estava sentado no mesmo lugar de sempre, na bancada nascente, esperando milagres do Matateu.
Os anos foram passando, a bancada nascente (e não só) foi perdendo público, o Belenenses foi perdendo dimensão, eu fui perdendo ilusões, mas apesar de tudo ir mudando, uma coisa sempre se manteve: a incapacidade do Belenenses ser reconhecido aos homens que sempre lhe quiseram bem, alguns, mesmo, durante uma vida, nunca esperando nada, a não ser esse simples e merecido reconhecimento dos seus consócios.
A típica ingratidão do Belenenses em relação àqueles que dele mais gostaram e que por ele mais fizeram sempre foi transversal.
Varreu tudo e todos de forma igual, ao mesmo tempo que ia cumprindo a tentação de um desafio permanente do inexplicável desejo de ser grande como os maiores, à custa de aventureiros e de oportunistas.
O meu pai sofria com isso.
Era um daqueles a quem o clube se limitara ao reconhecimento institucional do papel passado na honra e no mérito, mas que nunca verdadeiramente o estimara.
O mesmo sucedia com muitos outros.
Muitos que já morreram e alguns mais (já poucos) que sobrevivem na mesma angústia e desesperança, vendo o Belenenses, por vezes, entregue a caricaturas de dirigentes, que não têm consciência de que um clube, sobretudo um clube com história, deve preservar a sua personalidade e o seu carácter, para que não lhe matem a alma.
Sempre fui bem menos idealista que meu pai.
E nunca consegui ter, como ele sempre teve, uma paixão tão pura e tão inocente pelas coisas que verdadeiramente amava.
Por isso, sempre mantive distância.
Por dever de ofício, sim, mas também por convicção pessoal.
Até mesmo quando o meu amigo de infância, Cabral Ferreira, assumiu a presidência do clube.
Outro que tal, e que nunca me pediria uma linha que fosse, para uma frase, ou um recado. Um caso invulgar de honestidade intelectual e grandeza de carácter, logo dois dos maiores pecados na desenfreada e desvirtuada vida de hoje.
É, pois, à distância que vejo, não impassível, essa sofrida e lenta agonia do Belenenses, onde gente que se sumiu, mas nunca se assumiu na explicação impossível de uma desvairada carrada de pernas de pau do Brasil, tem o desplante e a desvergonha de vir falar dos supostos males da gestão alheia.
Não, não tem esse direito.
Muito menos antes de explicar que interesses podem justificar que um clube, em tal estado de exaustão financeira, decida contratar um contentor de brasileiros trôpegos e, em maioria, impróprios para a função.
O dr. Nunes dos Santos, antigo e saudoso dirigente sportinguista, figura sempre muito respeitada e considerada em A BOLA, tinha, para estes casos, uma expressão inolvidável: «Gente que não tem moral nem para estar calada.»

Vítor Serpa in "A BOLA" de hoje, 19 de Setembro de 2008

Yaúca pelo lápis de Melo

Edição de 16 de Julho de 1963 do jornal “Record”